Audiência Pública aborda risco de erosão do lago e atrasos na revitalização do Parque do Carmo.
A Câmara Municipal de São Paulo, por meio da Comissão Extraordinária de Meio Ambiente e Direito dos Animais, realizou nesta quarta-feira (18) uma Audiência Pública para discutir o andamento das obras de revitalização do Parque do Carmo, na zona leste da capital. A iniciativa partiu do vereador Alessandro Guedes (PT), que preside o colegiado e busca respostas sobre o atraso no projeto.
“Essa Audiência foi convocada pela Comissão de Meio Ambiente para falar sobre questões relacionadas à erosão e o risco de rompimento do lago, bem como condições de abandono do parque relatadas por frequentadores. O nosso objetivo é entender por que as obras de revitalização estão paradas, e buscar a retomada, pois a população teme pelo agravamento das enchentes caso haja um rompimento na margem do lago e, consequentemente, transbordamento no córrego Rio Verde que desemboca no bairro Cidade Líder”, explicou o parlamentar.
Vereador Alessandro Guedes – Audiência Pública Parque do Carmo
Com um orçamento de R$ 83 milhões, o projeto de revitalização prevê intervenções como manejo arbóreo, melhorias na vigilância, restauração de edificações, redes elétricas e estruturas viárias. A Prefeitura estipulou um prazo de 24 meses para conclusão, mantendo as características históricas do parque. No entanto, o avanço lento das obras tem gerado insatisfação entre lideranças locais e moradores.
Participaram representantes da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, da Secretaria Municipal Infraestrutura e Obras, da Defesa Civil de Itaquera, e da construtora Ramon Aguilera, responsável pela obra.
Audiência Pública Parque do Carmo
Desafios técnicos e operacionais na Audiência Pública – Parque do Carmo
Thiago Oliveira, representante da construtora Ramon Aguilera, responsável pelas obras, destacou as dificuldades enfrentadas devido ao funcionamento contínuo do parque. “Estamos limitados a cinco frentes de trabalho por questões de segurança e operação. Além disso, encontramos problemas inesperados, como a necessidade de adequações no vertedouro do lago, o que impactou o cronograma inicial”, explicou.
A chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Thamires Oliveira, reconheceu a complexidade do projeto. Segundo ela, a gestão investiu em torno de R$ 150 milhões em obras na zona leste, com aumento substancial no orçamento da pasta. Tamires afirmou que recentemente não foram identificados problemas maiores de zeladoria no local, mas se comprometeu a fazer uma vistoria.
Antônia Ribeiro, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, ressaltou a urgência de concluir a contenção do lago para evitar alagamentos. “Houve mudanças no projeto original devido a ajustes técnicos, mas já estamos acelerando os trâmites para resolver a erosão antes do período chuvoso”, afirmou. Segundo ela, uma reunião está agendada para a próxima semana com a empreiteira a fim de agilizar o processo e iniciar a obra definitiva.
Preocupações da comunidade
Representantes de associações e lideranças locais aproveitaram a audiência para expressar frustrações e preocupações. José Carlos Medeiros, do grupo Casa Rosada, alertou para os riscos de rompimento do lago e os impactos de possíveis enchentes. “Isso pode ser uma tragédia para a região, causando mortes e prejuízos econômicos”, enfatizou.
Mateus Ramos, líder comunitário da Cidade Líder, alertou sobre o grave risco de enchentes na região. “Um ponto crucial é o lago do parque, que tem sido o principal causador das enchentes, especialmente na Cidade Líder. A Prefeitura prometeu realizar obras no lago, incluindo a licitação e o início dos trabalhos, mas, até agora, nada foi feito. Recentemente, em apenas 30 minutos de chuva, uma enchente devastou várias casas. Enquanto algumas pessoas celebram o Natal, muitas famílias na favela vivem angustiadas, temendo pela segurança de seus lares. Essa obra não pode esperar!”, ressaltou.
Jerônimo Barreto, da Associação Nossa Senhora Aparecida, criticou a gestão pública. “Como a zona leste, que terá o maior orçamento municipal no próximo ano, pode continuar abandonada? É inadmissível que promessas de campanha não se traduzam em melhorias concretas”, desabafou. “Nosso objetivo é garantir que as obras de contenção do lago e a revitalização avancem e atendam às demandas da população da região. Iremos retomar essa pauta no início de 2025 após o recesso no legislativo, devido a urgência desse tema”, concluiu o vereador Alessandro Guedes.
Informações: Comunicação do Vereador Alessandro Guedes