Empresas CABOT e RECAP prestam depoimento na CPI da Poluição Petroquímica

Empresas CABOT e RECAP prestam depoimento na CPI da Poluição Petroquímica de Capuava na Câmara de São Paulo.

Os convidados foram os representantes das empresas que estão instaladas no complexo industrial localizado próximo a zona leste da capital.

Nesta quinta-feira (16/3) a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Poluição Petroquímica da Câmara Municipal de São Paulo prosseguiu com os trabalhos de investigação das denúncias a cerca da poluição gerada pelo Polo Petroquímico. A sessão durou oito horas, sendo dividida em duas etapas. No período diurno, participou o engenheiro químico Max Suelio Prado de Araújo, gerente da Cabot Brasil. Instalada no polo desde 1976, a empresa atua na produção de material químico.

Já na parte da tarde, o colegiado ouviu Mateus Tonon, gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Recap (Refinaria de Capuava) – Petrobras, especialista na indústria de óleo, gás natural e energia. A unidade processa 10 mil metros cúbicos de petróleo diariamente – em torno de 62,5 mil barris/dia.

Presidente da CPI, Alessandro Guedes
Presidente da CPI, Alessandro Guedes e vereador na cidade de São Paulo

 

Presidente da CPI, o vereador Alessandro Guedes (PT) explicou que os representantes das indústrias foram convidados a participar. “Não foi uma convocação, mas um convite e vocês se dispuseram a vir, como ocorreu com a Braskem. Agradecemos a disponibilidade de contribuírem com este trabalho”. 

Ele reforçou que a CPI reconhece a importância econômica do polo na geração de emprego e renda. Todavia, esclareceu que a proposta dos trabalhos é investigar denúncias de poluição do polo petroquímico. “Esse é nosso objetivo: proteger o emprego, mas com o desenvolvimento sustentável”.

Cabot Brasil

Max Suelio Prado de Araújo contextualizou a história da indústria na região, falou do material produzido pela Cabot Brasil e respondeu a perguntas feitas pelos integrantes da Comissão. Entre os tópicos, foi questionado sobre eventuais danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, bem como as ações feitas pela empresa para evitar riscos.

Max Suelio Prado de Araújo - representante Cabot
Max Suelio Prado de Araújo – representante Cabot

 

Segundo o gerente, a empresa “não contribui com a população, pois as emissões de gases são controladas e estão dentro dos parâmetros estabelecidos pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Não vemos qualquer possibilidade de a nossa atividade, do que fazemos na Cabot, estar contribuindo para esta condição”.

O engenheiro citou que o processo industrial é automatizado e acompanhado rotineiramente, já que a operação da empresa funciona 24 horas durante os sete dias da semana. Disse ainda que a empresa faz a manutenção constante dos equipamentos, monitora as chaminés, utiliza filtros de alta tecnologia e tem um plano de investimentos para não impactar a qualidade de vida da população e do meio ambiente.

Max afirmou que a produção não gera ruídos, odor, não contamina o solo nem solta fuligens. Também garantiu que todos os índices determinados pelas normas ambientais são respeitados. Além disso, disse ter conhecimento dos estudos científicos da médica endocrinologista Maria Ângela Marino Zaccarelli. A pesquisa relaciona a poluição emitida pelo polo petroquímico à alta incidência da doença de tireoidite de Hashimoto na população próxima ao Polo.

“Não temos nenhum histórico dentro da empresa, nestes mais de 100 anos de operação, deste tipo de doença que está sendo relatado nos estudos”, afirmou. Ele relatou não haver funcionários da Cabot Brasil afastados por problemas respiratórios, porém, em outro momento da reunião, confirmou o diagnóstico de um profissional com tireoidite de Hashimoto. “A conclusão da área médica é de que, o que existe de casos, está abaixo da média da população em geral”.

Refinaria de Capuava – Recap

Fundada em 1954, a empresa opera de forma contínua 24 horas, sete dias por semana. Ela processa 100% do petróleo que vem do pré-sal. Entre os derivados do petróleo produzidos pela refinaria figuram o diesel, a gasolina, o gás de cozinha, o enxofre para produção de fertilizantes, a aguarrás para as tintas, o propeno para produzir peças plásticas para carros, óleos combustíveis e insumos para filmes plásticos.

Mateus Tonon, gerente de Segurança
Mateus Tonon, gerente de Segurança Recap

Mateus declarou que as emissões de gases da empresa estão dentro dos limites legais, e que a refinaria não contribui com a poluição sonora e ambiental da região. “Nem por ar, nem por água, nem contaminação do solo. Fazemos ainda a verificação de ruído no entorno e sempre está abaixo do limite preconizado pela legislação”.

O depoente negou que a empresa gere fuligem ou odor. Em relação aos eventuais danos causados à saúde da população que mora no entorno do polo petroquímico, citou que não há casos registrados de doenças respiratórias ou de tireoidite de Hashimoto entre os colaboradores.

Completou que a Recap monitora diariamente as emissões e que dispõe de sistemas de inteligência artificial para controlar a queima de gases e de torres de resfriamento. Interrogado a cerca de multas, falou que houve cinco autuações nos últimos 20 anos – por geração de odor de enxofre, fumaça preta e de um pó branco.

Requerimentos

Ao final dos trabalhos do depoimento de CABOT e RECAP na CPI da Poluição Petroquímica, ocorreu a aprovação de requerimentos. Os documentos solicitam a relação de funcionários demitidos, transferidos a outras unidades ou afastados pela Cabot Brasil, Recap e Braskem nos últimos dez anos.

Foram aprovados ainda requerimentos que pedem informações relacionadas aos dados da emissão das chaminés e ao índice de ruídos da Cabot, a quantidade de substâncias emitidas e os exames médicos de profissionais. Uma solicitação de informação sobre um projeto de horta comunitária da Cofip (Comitê de Fomento Industrial do Polo) também foi incluída, bem como o pedido de informações referentes a quantidades e produtos químicos emitidos pela Recap.

#equipealessandroguedes

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