Urbanização do Jardim Pantanal é tema de debate na CPI das Enchentes
Pesquisa da USP reforça soluções estruturais e socialmente justas
A CPI das Enchentes da Câmara Municipal de São Paulo recebeu, nesta terça-feira (18/11), o professor Sidnei Raimundo, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP). O pesquisador apresentou uma análise aprofundada sobre a relação entre ocupação urbana, dinâmica hídrica e identidade territorial no Jardim Pantanal, destacando que qualquer proposta de urbanização do Jardim Pantanal precisa considerar o vínculo histórico e cultural da comunidade com o território.
Segundo Raimundo, compreender o Pantanal apenas sob a lógica das enchentes é insuficiente. Ele reforçou que políticas públicas devem respeitar o pertencimento local e a organização comunitária. Para ele, “não existe solução eficaz que desconsidere a vida cotidiana das famílias e a forma como se organizam no espaço”.
Urbanização do Jardim Pantanal:Caminhos práticos para enfrentar os alagamentos
Durante a apresentação, o professor destacou medidas emergenciais, como recomposição da vegetação marginal para proteger a calha do rio e reduzir o assoreamento. Também apontou estratégias de longo prazo que impactam diretamente a urbanização do Jardim Pantanal, como a criação de áreas permeáveis, equipamentos urbanos integrados e espaços comunitários que funcionem como “piscinões secos”. Ele reforçou que o trabalho conjunto entre engenharia, meio ambiente e participação social produz melhores resultados.

Compromisso com soluções que respeitem a comunidade
Presidente da CPI, o vereador Alessandro Guedes afirmou que ouvir especialistas é crucial para elaborar propostas que sejam tecnicamente sólidas e socialmente justas. Ele ressaltou que o objetivo é construir soluções que garantam dignidade, segurança e estabilidade às famílias — sem remoções injustas ou intervenções que desconsiderem a identidade da comunidade.

O vereador destacou que próximas etapas da CPI incluem novas oitivas, visitas técnicas e consolidação de recomendações que orientarão políticas públicas de prevenção, adaptação climática e reorganização urbana. As discussões reforçam que a urbanização do Jardim Pantanal deve ocorrer de forma sustentável, participativa e alinhada à realidade local.
Também foram aprovados requerimentos para participação de especialistas da FAU Mackenzie, USP e do biólogo Luis Schiesari. A CPI foi prorrogada por mais 120 dias.


